Tese de doutorado produzida sob orientação do professor Bruno P. W. Reis, defendida e aprovada no dia 10 de março de 2008, no Curso de Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política, da Universidade Federal de Minas Gerais. A tese e o modelo nela proposto estão disponíveis a seguir (clique com o botão direito do mouse e escolha a opção "Salvar link como"):
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Nota: Versões do modelo posteriores à defesa da tese podem ser encontrados aqui.
RESUMO
A tese realiza uma investigação teórica sobre a evolução da cooperação entre antropóides virtuais, interpretáveis como ancestrais dos seres humanos. São apresentados argumentos favoráveis a uma maior formalização das teorias nas ciências sociais e ao emprego de modelos baseados em agentes como um método complementar de investigação teórica. É feita uma revisão da literatura existente sobre evolução da cooperação, onde se procura identificar deficiências nos modelos encontrados. Para superar as deficiências, é sugerida a necessidade de melhor conhecimento dos dados empíricos relevantes para a formulação de uma teoria da evolução da cooperação, como os produzidos pela primatologia ao estudar os antropóides e pela paleoantropologia ao estudar os vestígios deixados por nossos ancestrais extintos. Com base nessa literatura, é proposto — e testado por meio de simulação em computador — um modelo de evolução da cooperação mais complexo e realista do que os revisados. A cooperação tal como esperada durante a elaboração do modelo não surgiu de modo generalizado — não obstante a emergência de elevado grau de cooperação entre agentes de sexo oposto. Os resultados obtidos indicam que a reprodução sexuada, ausente nos modelos revisados, é variável extremamente relevante na matéria. Os experimentos também mostram uma surpreendente propensão à não-retaliação pelos agentes, ainda a ser devidamente interpretada em termos teóricos.
SUMÁRIO
1 Introdução
2 Discussão metodológica
2.1 Ciências sociais
2.1.1 Conceitos claros e distintos
2.1.2 Ambigüidade da linguagem
2.1.3 Leis sociais
2.1.4 Experimentos cruciais
2.2 Formalização de teorias
2.3 Teoria dos jogos
2.3.1 Dilema do prisioneiro
2.3.2 Teoria da escolha racional como teoria geral
2.3.3 Pressupostos das teorias da escolha racional
2.3.3.1 Pressuposto da racionalidade
2.3.3.2 Pressuposto do egoísmo
2.3.3.3 Pressuposto do conhecimento completo
2.3.3.4 Pressupostos e tratabilidade matemática
2.3.4 Vigor metodológico do pressuposto da racionalidade
2.3.5 Limitações das teorias dos jogos
2.4 Modelos baseados em agentes
3 Modelos de evolução da cooperação
3.1 Seleção de parentesco
3.2 Altruísmo recíproco
3.3 Seleção de grupo
3.4 Reciprocidade forte
3.4.1 Evidências empíricas
3.4.2 Obstáculos à evolução da Reciprocidade Forte
3.4.3 Transmissão cultural
3.5 Torneios de dilema do prisioneiro
3.6 Caça ao cervídeo
3.7 Normas e metanormas
3.8 Dois modelos evolucionistas
3.8.1 Ação Coletiva
3.8.2 Dilema do Prisioneiro
3.8.3 Críticas aos dois jogos
3.9 Reciprocidade indireta
3.10 Modelo de Compartilhamento de Comida
3.11 Desafios
4 Antropóides
4.1 Semelhança física com humanos
4.2 Habitat
4.3 Sociedades de fusão e fissão
4.3.1 Tamanho das comunidades e seus grupos
4.3.2 Padrão de deslocamento
4.3.3 Caça
4.4 Sexualidade
4.5 Inteligência social e empatia
4.5.1 Capacidade de planejar
4.5.2 Inteligência inconsciente não-simbólica
4.5.3 Capacidade de enganar
4.5.4 Empatia
4.5.5 Capacidade de pensamento abstrato
4.5.6 Memorização de favores e senso de justiça
4.5.7 Definição de cultura
4.6 Hierarquia e disputa de poder
4.6.1 Conflitos entre comunidades
4.6.2 Conflitos intra-comunidade
4.6.3 Existência de hierarquia e deferência
4.6.4 Conflitos entre bonobos
4.6.5 Formação de alianças
4.7 Tolerância e conciliação
4.8 Uso de ferramentas
4.9 Reciprocidade e cooperação
4.9.1 Reciprocidade em sociedades humanas
4.9.2 Habilidades cognitivas e tipos de reciprocidade
4.9.3 Compartilhamento de comida entre chimpanzés
5.2.2 Sahelanthropus
5.2.3 Orrorin
5.2.4 Ardipithecus
5.3 Australopitecos e outros hominídeos semelhantes
5.3.1 Kenyanthropus
5.3.2 Australopithecus
5.4 O gênero Homo
5.4.1 O cérebro grande
5.4.2 Homo ergaster
5.4.3 Homo erectus
5.4.4 Neandertalenses
5.4.5 Homens modernos
5.5 Origem da linguagem
5.5.1 Teoria da linguagem de sinais
5.5.2 Teoria da protolíngua
5.5.3 Teoria da empatia
5.5.4 Antropóides humanizados
6 Um Modelo Multi-Agente de Evolução da Cooperação
6.1 Introdução
6.2 Descrição do modelo proposto
6.2.1 As presas
6.2.2 Vegetação
6.2.3 Os antropóides
6.2.4 Memória e lembranças
6.2.5 Ações básicas dos agentes
6.2.6 Compartilhamento de alimentos
6.2.7 Migração
6.2.8 Territorialismo
6.2.9 Caça
6.2.10 Reprodução
6.3 Resultados
6.4 Avaliação dos resultados
7 Conclusão
Apêndice A -- Parâmetros fixos por toda a simulação
Apêndice B -- Variáveis sujeitas a evolução por seleção natural
Referências Bibliográficas