Como Migrar do Windows
para o Linux


Jakson Aquino

 

Vantagens do Linux em Relação ao Windows

 

Desvantagens do Linux em Relação ao Windows

 


 

Migrando em Quatro Fases

Mudar de sistema operacional implica em reaprender muita coisa. Uma forma de suavizar o impacto da mudança é não trocar abruptamente o Windows pelo Linux. Uma migração em etapas poderá ter maiores chances de ser bem sucedida.

 

Fase I − Use Programas do Linux no Windows

Antes de instalar e começar a usar o Linux, você poderá começar a substituir programas que existem apenas no Windows por outros que funcionam nos dois sistemas operacionais. A tabela abaixo lista alguns programas do Linux que têm funcionalidades semelhantes a outros programas muito usados no Windows (para uma lista mais completa: ProgramasEquivalentes).

Tabela de Equivalência
 Só Existe no Windows ou Descrição  Existe no Windows e no Linux 
 Internet Explorer Firefox
 Outlook (Express) Thunderbird
 Word, Excel, PowerPoint OpenOffice
 Photoshop, Paint Shop Pro The Gimp
 Adobe Illustrator, Corel Draw Inkscape
 MSN, Yahoo, ICQ,... Pidgin (Gaim)
 Media Player, Real Player, etc... MPlayer, VLC
 Editor de som (efeitos etc...) Audacity
 Animações em 3D Blender
 Jogo do Pingüim em 3D PPRacer
 Celestia Celestia
 Stellarium Stellarium
 GoogleEarth GoogleEarth
 Vírus diversos Não existem vírus no Linux

 

Depois de alguns meses usando os programas acima, você poderá passar para a próxima fase.

 

Fase II − Crie uma Partição para o Linux

Algumas distribuições, como Ubuntu e Kurumin NG, podem ser instaladas dentro do Windows, sem necessidade de particionar o disco, mas o melhor desempenho é obtido com a instalação tradicional. Para tanto, crie uma partição com alguns gigabytes de espaço livre e instale uma distribuição do Linux. Ao ligar o computador, você poderá escolher qual sistema operacional deseja usar. Você terá 5 a 10 segundos para fazer a escolha e, inicialmente, poderá deixar o Windows ser carregado automaticamente caso não escolha o Linux explicitamente. Nesta fase, você terá que descobrir quais programas que funcionam exclusivamente no Linux têm funcionalidade similar aos do Windows.

Esse também será o momento de explorar as funcionalidades exclusivas do Linux. Uma delas, é a opção que o usuário tem de escolher o gerenciador de janelas ou ambiente do computador (Desktop), e é recomendável que você experimente alguns antes de se decidir por um deles. Os dois ambientes mais comuns são o Gnome e o KDE, mas existem dezenas de outros gerenciadores de janelas, como o IceWM, XFCE, e o FluxBox, todos mais leves do que o Gnome ou o KDE.

Outra coisa que praticamente pode-se dizer que é exclusiva do Linux é a poderosa linha de comando. Assim como você pode usar o Windows sem nunca abrir a janela do DOS (aliás, você sabe o que é isso?), é possível usar o Linux somente em modo gráfico. O DOS é difícil e irritante de usar, e não se consegue fazer muita coisa com ele. No Linux, a linha de comando é muito mais fácil de usar e existem centenas de programas que permitem fazer em modo texto quase tudo que se faz em modo gráfico. As duas grandes vantagens do modo texto é que as coisas funcionam com rapidez e é possível automatizar tarefas com facilidade. A desvantagem é a necessidade de memorizar comandos. Como já disse, você não precisa usar o modo texto, mas se resolver aprender a usar um terminal de linha de comando no Linux entenderá porque alguns usuários do Linux chamam o Windows de Ruindows.

Qual distribuição escolher dentre as centenas de opções existentes gratuitamente na internet? Se você usa internet discada, a melhor opção talvez seja o Kurumin, que vem com drivers de modem pré-compilados e fáceis de configurar (através dos seus “ícones mágicos”). Outra opção é o Ubuntu que pode ser instalado a partir do seu Live CD. O Ubuntu inclui o GParted, um particionador de disco que você poderá usar para diminuir o espaço ocupado pelo Windows e possibilitar a instalação do Linux. Mas, ATENÇÃO, antes de reparticionar o disco é recomendável a DESFRAGMENTAÇÃO da partição do Windows com o desfragmentador de disco do Windows (Programas | Acessórios | Ferramentas do Sistema). Para instalar o Linux, por precaução, faça um backup dos seus arquivos e, então, desfragmente o Windows, coloque o CD do Ubuntu na bandeja e reinicie o computador. A figura abaixo mostra um exemplo de esquema de partição feito usando o GParted para uma pessoa ainda indecisa quanto a usar ou não o Linux:

Criando Partições para o Linux

gparted

Como você pode ver, no exemplo acima o Windows continua ocupando a maior parte do disco. Foram criadas três partições para o Linux. A primeira será a raiz do sistema ("/"), a última será a partição "/home", onde ficarão os arquivos pessoais dos usuários; ambas estão formatadas como "ext3" (indicado na figura como "ext2"). A pequena partição entre essas duas será usada como área de troca (swap) para melhorar o desempenho do computador. Num esquema comum de partição do disco, a partição raiz fica com 3 a 8 Gigabytes, a partição swap com o dobro da memória ram (se o seu computador tem 1 GB de memória ram, crie uma partição swap com 2 GB) e a partição home com todo o restante do espaço disponível. Note que você pode usar o GParted para preparar o disco para qualquer distribuição do Linux.

 

Fase III − Torne o Linux o Sistema Operacional Padrão

Quando você estiver usando mais o Linux do que o Windows, mude a configuração do Lilo ou do Grub para que o Linux seja o sistema operacional inicializado automaticamente.

Se houver programas do Windows que você continua precisando (como alguns jogos, enciclopédias e dicionários) e para os quais não existem softwares livres equivalentes e os seus fabricantes ainda não se preocuparam em produzir uma versão para Linux, isso será um problema que talvez possa ser resolvido pelo wine: um programa do Linux que consegue rodar muitos programas do Windows sem precisar ter o Windows instalado. Com um pouco de sorte, o aplicativo que você precisa será um dos que funcionam com o wine. Mas, cuidado, ao usar o wine, seus arquivos poderão ser contaminados por vírus do Windows. Para não correr esse risco, é recomendável criar um usuário apenas para o uso do wine, como ensina Carlos Morimoto em seu artigo Usando as novas versões do Wine.

Em último caso, se o wine falhar, será possível rodar o Windows dentro de uma máquina virtual, como o VirtualBox.

 

Fase IV − Delete o Windows

Depois de uns 6 meses sem usar o Windows, você provavelmente estará pensando em como fazer um bom uso do espaço ocupado por ele no seu HD.

 


Veja também:

O Windows está pronto para o usuário experiente?
How to migrate from Windows
Linux Desktop Equivalents of Windows Software

  Para começar a dominar o Linux pela linha de comando:

Guia Foca
LinuxCommand.org (em inglês)