Não tem vírus. Cada arquivo tem um dono e pertence a um grupo, e tem
permissões de leitura, escrita e execução separadas para o dono, o grupo e os
demais usuários do sistema. Arquivos baixados da internet são gravados no
disco sem permissão de execução. Assim, para executar um vírus você teria que
baixar o programa-vírus da internet, deliberadamente torná-lo executável e
propositalmente executá-lo. Ainda assim, o vírus somente conseguiria agir
sobre os seus arquivos. Os outros usuários e o sistema como um todo não
teriam nem notícia do vírus.
É estável. Se quiser, você pode passar anos com o computador ligado 24
horas por dia, instalando e desinstalando programas todos os dias, e ainda
assim não terá que reiniciar o computador uma única vez.
É muito fácil de instalar e desinstalar programas se você usar uma
distribuição que tenha um bom sistema de gerenciamento de pacotes. No Debian
ou Ubuntu, por exemplo, existem mais de 15000 programas disponíveis.
Para instalar ou desinstalar qualquer um deles basta abrir o synaptic,
procurar o programa que lhe interessa, e usar o mouse para fazer alguns
cliques (mas eu prefiro usar o aptitude e apertar algumas teclas).
Enquanto você estiver usando apenas software livre, será possível
garantir que no computador inteiro não há nenhum programa executando código
malicioso. Os responsáveis por uma distribuição do Linux inspecionam o código
de todos os aplicativos que distribuem e podem, com segurança, afirmar que
nenhum deles tem como objetivo roubar seus dados pessoais e repassá-los para
ladrões. No Windows é impossível fazer essa garantia porque os programas são
vendidos já compilados e os códigos fonte são mantidos em segredo. No Linux é
preciso confiar apenas nas pessoas que fazem a distribuição escolhida; no
Windows é preciso confiar em cada um dos milhares de desenvolvedores e
distribuidores de software. Existe software livre para quase tudo, mas a
maioria dos usuários do Linux também usa alguns softwares proprietários. No
meu caso, por exemplo, sou obrigado a confiar na Adobe (plugin flash para
navegador da internet), na NVidia (driver para placa de vídeo) e no
Google (GoogleEarth).
Desvantagens do Linux em Relação ao Windows
De uma maneira geral, para o administrador de sistema profissional, o
Linux é mais fácil de administrar do que o Windows. Mas, para um usuário
comum, o Linux pode ser um pouco mais difícil de usar do que o Windows. Isso
é decorrência do sistema de permissões que se aplica a arquivos e programas
e também do fato de toda a configuração do Linux ser feita em arquivos de
texto simples que algumas vezes precisam ser editados manualmente. Para
muitos dos arquivos de configuração mais comuns, há ferramentas em modo
gráfico que facilitam a configuração para quem não tem muita noção de como é
o funcionamento do sistema operacional, mas, em alguns casos, poderá ser
necessário a edição manual dos arquivos.
Alguns fabricantes de hardware mantêm segredo sobre as especificações das
peças que produzem e, conseqüentemente, os desenvolvedores de software livre
não conseguem produzir drivers para esses equipamentos. Por isso, existem
alguns modelos de alguns periféricos, como modems, impressoras, webcams,
etc..., que não funcionam no Linux. Este problema de hardware incompatível
está cada vez menor, mas quem usa ou pretende usar o Linux, antes de comprar
qualquer equipamento, precisa pesquisar na internet para descobrir se ele
funcionará corretamente. Uma forma de saber se seu computador funcionará com o
Linux é usar um Live CD (Ubuntu,
por exemplo). Se o Linux rodar a partir do CD, funcionará depois de instalado
no HD. Se alguma coisa não funcionar, será porque o driver não foi incluído na
distribuição, mas talvez exista em outra. No caso de um periférico muito raro
um driver pode até mesmo existir para o Linux e não ser incluído em nenhuma
distribuição. Neste caso, a solução seria ou trocar de equipamento ou
compilar um kernel personalizado. Há ainda os drivers que somente são
distribuídos pré-compilados pelo fabricante do equipamento, e não pelos
responsáveis pela distribuição Linux. Neste caso é preciso seguir as
instruções do fabricante para que o equipamento funcione corretamente.
Migrando em Quatro Fases
Mudar de sistema operacional implica em reaprender muita coisa. Uma forma de
suavizar o impacto da mudança é não trocar abruptamente o Windows pelo Linux.
Uma migração em etapas poderá ter maiores chances de ser bem sucedida.
Fase I − Use Programas do Linux no Windows
Antes de instalar e começar a usar o Linux, você poderá começar a substituir
programas que existem apenas no Windows por outros que funcionam nos dois
sistemas operacionais. A tabela abaixo lista alguns programas do Linux que têm
funcionalidades semelhantes a outros programas muito usados no Windows (para uma
lista mais completa:
ProgramasEquivalentes).
Depois de alguns meses usando os programas acima, você poderá passar para a
próxima fase.
Fase II − Crie uma Partição para o Linux
Algumas distribuições, como Ubuntu e Kurumin NG, podem ser instaladas dentro
do Windows, sem necessidade de particionar o disco, mas o melhor desempenho é
obtido com a instalação tradicional. Para tanto, crie uma partição com alguns
gigabytes de espaço livre e instale uma distribuição do Linux. Ao ligar o
computador, você poderá escolher qual sistema operacional deseja usar. Você terá
5 a 10 segundos para fazer a escolha e, inicialmente, poderá deixar o Windows
ser carregado automaticamente caso não escolha o Linux explicitamente. Nesta
fase, você terá que descobrir quais programas que funcionam exclusivamente no
Linux têm funcionalidade similar aos do Windows.
Esse também será o momento de explorar as funcionalidades exclusivas do Linux.
Uma delas, é a opção que o usuário tem de escolher o gerenciador de janelas ou
ambiente do computador (Desktop), e é recomendável que você experimente
alguns antes de se decidir por um deles. Os dois ambientes mais comuns são o
Gnome e o KDE, mas existem dezenas de outros
gerenciadores de janelas, como o IceWM, XFCE, e o FluxBox, todos mais leves do que o Gnome
ou o KDE.
Outra coisa que praticamente pode-se dizer que é exclusiva do Linux é a
poderosa linha de comando. Assim como você pode usar o Windows sem nunca abrir
a janela do DOS (aliás, você sabe o que é isso?), é possível usar o Linux
somente em modo gráfico. O DOS é difícil e irritante de usar, e não se
consegue fazer muita coisa com ele. No Linux, a linha de comando é muito mais
fácil de usar e existem centenas de programas que permitem fazer em modo texto
quase tudo que se faz em modo gráfico. As duas grandes vantagens do modo texto
é que as coisas funcionam com rapidez e é possível automatizar tarefas com
facilidade. A desvantagem é a necessidade de memorizar comandos. Como já
disse, você não precisa usar o modo texto, mas se resolver aprender a usar um
terminal de linha de comando no Linux entenderá porque alguns usuários do Linux
chamam o Windows de Ruindows.
Qual distribuição escolher dentre as centenas de opções existentes gratuitamente
na internet? Se você usa internet discada, a melhor opção talvez seja o Kurumin,
que vem com drivers de modem pré-compilados e fáceis de configurar (através dos
seus “ícones mágicos”). Outra opção é o Ubuntu que pode ser instalado a partir do seu
Live CD. O Ubuntu inclui o GParted, um particionador de disco que
você poderá usar para diminuir o espaço ocupado pelo Windows e possibilitar a
instalação do Linux. Mas, ATENÇÃO, antes de reparticionar o disco é
recomendável a DESFRAGMENTAÇÃO da partição do Windows com o
desfragmentador de disco do Windows (Programas | Acessórios | Ferramentas do
Sistema). Para instalar o Linux, por precaução, faça um backup dos seus arquivos
e, então, desfragmente o Windows, coloque o CD do Ubuntu na bandeja e reinicie o
computador. A figura abaixo mostra um exemplo de esquema de partição feito
usando o GParted para uma pessoa ainda indecisa quanto a usar ou não o Linux:
Criando Partições para o Linux
Como você pode ver, no exemplo acima o Windows continua ocupando a maior parte
do disco. Foram criadas três partições para o Linux. A primeira será a raiz do
sistema ("/"), a última será a partição "/home", onde ficarão os arquivos
pessoais dos usuários; ambas estão formatadas como "ext3" (indicado na figura
como "ext2"). A pequena partição entre essas duas será usada como área de
troca (swap) para melhorar o desempenho do computador. Num esquema
comum de partição do disco, a partição raiz fica com 3 a 8 Gigabytes, a
partição swap com o dobro da memória ram (se o seu computador tem 1 GB
de memória ram, crie uma partição swap com 2 GB) e a partição home
com todo o restante do espaço disponível. Note que você pode usar o GParted
para preparar o disco para qualquer distribuição do Linux.
Fase III − Torne o Linux o Sistema Operacional Padrão
Quando você estiver usando mais o Linux do que o Windows, mude a configuração
do Lilo ou do Grub para que o Linux seja o sistema operacional inicializado
automaticamente.
Se houver programas do Windows que você continua precisando (como alguns jogos,
enciclopédias e dicionários) e para os quais não existem softwares livres
equivalentes e os seus fabricantes ainda não se preocuparam em produzir uma
versão para Linux, isso será um problema que talvez possa ser resolvido pelo wine: um programa do Linux que consegue
rodar muitos programas do Windows sem precisar ter o Windows instalado. Com um
pouco de sorte, o aplicativo que você precisa será um dos que funcionam com o
wine. Mas, cuidado, ao usar o wine, seus arquivos poderão ser contaminados por
vírus do Windows. Para não correr esse risco, é recomendável criar um usuário
apenas para o uso do wine, como ensina Carlos Morimoto em seu artigo Usando as
novas versões do Wine.
Em último caso, se o wine falhar, será possível rodar o Windows dentro de uma
máquina virtual, como o VirtualBox.
Fase IV − Delete o Windows
Depois de uns 6 meses sem usar o Windows, você provavelmente estará pensando em
como fazer um bom uso do espaço ocupado por ele no seu HD.